Pé de Louro

18072018
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Horta em Vasos

Um condimento muito comum na cozinha brasileira mas que quase nunca se vê plantado em hortas – principalmente as em vasos – é o louro (Laurus nobilis). Na verdade, é difícil encontrar um pé de louro por aí, mesmo nas ruas ou em quintais de casas antigas. Estranho, já que se trata de planta fácil de cultivar.

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O louro é uma árvore de crescimento lento que prefere viver em meia sombra, o que quer dizer que pode se adaptar bastante bem em varandas de casas e apartamentos onde incida um solzinho por uma ou duas horas ao dia, no máximo. Ou então que não tenha nenhum sol direto mas que seja um lugar claro. Sombra fechada não funciona. E como tem crescimento lento, fica feliz por vários anos plantado em um vaso grande.

Dona Rosy Bornhausen ensina, no livro Ervas do sítio, que na mitologia grega o louro representa a virgem Daphne transformada por seu pai numa árvore de folhas brilhantes para escapar das perseguições amorosas de Apolo, que desde então passou a usar uma coroa de louros nos cabelos. A partir daí esse uso tornou-se um símbolo de vitória, e a coroa foi usada por reis, conquistadores, príncipes e poetas. Nos jogos olímpicos de 776 a.C. os esportistas vencedores receberam as coroas verdes da glória que continuam significando honra e poder.

Na culinário o louro é um tempero importante, sempre presente em peixes e feijões, e é um dos componentes do bouquet garni, mix de ervas que aromatiza caldos e sopas. Na cosmética, seu óleo essencial é usado na formulação de sabonetes para peles sensíveis e em cremes para o corpo, e para a medicina a planta tem importantes qualidades curativas, seja em uso externo, para aliviar reumatismos, ou em uso interno, para curar bronquite, gripe e problemas digestivos. E antigamente era usado, pelas nossas bisavós, dentro de potes de farinha para afastar os insetos. 

Só que o tempo foi passando e, além de ficarem para trás esses usos e sabedorias, o louro virou, pras mocinhas e mocinhos que aprenderam a cozinhar nas últimas duas décadas (eu incluída), uma planta que se compra desidratada, dentro de um saquinho na prateleira do supermercado.

Mas ainda é tempo de mudar o curso da história. Um vaso grande, pedrinhas ou argila expandida, um bom tanto de terra adubada (de preferência com húmus de minhoca ou esterco) e regas a cada 2 ou 3 dias são tudo de que uma muda de louro precisa para crescer na sua casa. 

O meu veio em um vaso de plástico de uns 30 cm de altura, e tinha mais ou menos 60 cm quando comprei. Passei para um vasão de barro de 50 cm de altura e em um ano ele cresceu cerca de dois palmos, com vários galhos novos nas laterais. No começo eu tinha pena de tirar as folhas; a planta não era muito cheia, então economizei um pouco. Depois que começaram a brotar as folhas novas tomei coragem e agora uso sempre. Costumo escolher as folhas mais antigas, e arrancá-las funciona como uma poda, que estimula o louro a brotar mais. E com o uso frequente ele se mantém uma arvoreta, apesar de ter potencial para crescer bastante se for plantado no chão.

Não tem mistério. Talvez o mais difícil seja encontrar a muda para comprar, mas pesquise bastante, mostre interesse e pergunte, no caso de não encontrar, se é possível encomendar. Lojas e produtores tem seus contatos, e o comércio de plantas funciona como qualquer outro: a procura gera a oferta. Aumentar a disponibilidade de temperos e condimentos nas lojas depende muito dos plantadores urbanos.

Fonte: DeVerdeCasa

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